domingo, 2 de junho de 2024

Diagnóstico e tratamento

 


A abordagem psicopedagógica é dividida em duas fases: diagnóstico e tratamento.

O diagnóstico possibilita que o psicólogo realize uma análise minuciosa e descubra quais fatores estão afetando o aprendizado do indivíduo. É realizada por meio da utilização de instrumentos específicos, tais como avaliações, testes, jogos, desenhos, escritos, leituras, avaliações psicométricas, observações, entrevistas, anamnese, leitura de laudos e relatórios emitidos por outros especialistas, avaliação da produção escolar e outros.

Em geral, essa fase requer cerca de 6 a 10 sessões. Ao finalizar essa fase, o psicólogo faz uma pergunta ao indivíduo (ou seus responsáveis) sobre o que foi encontrado durante a investigação e propõe um plano de intervenção.

Vale salientar que é muito comum os pais chegarem ansiosos  e logo solicitarem um laudo, pois querem saber o que o filho tem. Durante o diagnóstico, é comum que os responsáveis perguntem ao final de cada sessão qual foi o resultado. Essa atitude é compreensível, pois demonstra o afeto e a preocupação dos pais. Contudo, apesar das informações que o indivíduo fornece a cada encontro, somente após várias sessões é que o psicólogo pode emitir suas próprias conclusões. O psicopedagogo precisa verificar, testar e reter, observar e analisar de forma cuidadosa, evitando emitir um parecer precoce sem avaliar o todo. Dessa forma, normalmente, além do atendimento com o sujeito, também é feito um trabalho de orientação aos pais, pois a ansiedade excessiva pode interferir no diagnóstico.

Após finalizar a etapa diagnóstica e chegar o dia do informe, o psicopedagogo comunica suas conclusões e, dependendo de cada caso, é elaborado um plano de intervenção. Cada plano é elaborado com cautela, levando em conta não apenas o distúrbio/condição/dificuldade de aprendizagem, mas também a singularidade do indivíduo.

É relevante salientar que o relatório não contém uma sentença ou um diagnóstico definitivo, uma vez que o ser humano está em constante evolução. A descoberta de uma dificuldade não é uma má notícia. Não deve ser usado nem mesmo como desculpa para justificar a não aprendizagem. Não! O diagnóstico tem como objetivo auxiliar o psicopedagogo e outros profissionais envolvidos com o indivíduo a compreender suas particularidades e, consequentemente, aprimorar suas habilidades de aprendizado.

O procedimento consiste na execução do plano de ação e tem como objetivo restabelecer as condições essenciais para o aprendizado ocorrer de forma regular. A intervenção é determinada pelo diagnóstico e pela singularidade da pessoa que está sendo atendida. Sendo assim, mesmo que duas pessoas tenham um diagnóstico de dislexia, cada uma terá um plano de ação específico, pois o foco é o indivíduo.

Na intervenção, são usados instrumentos específicos que podem ser desenhos, escritas, teatro, música, jogos... tudo de acordo com cada problema. Para indivíduos com dificuldades para memorizar, é possível utilizar jogos de estimulação cognitiva.

É interessante notar que, mesmo durante a fase de diagnóstico, o indivíduo atendido já demonstra sinais de mudança em sua relação com o aprendizado.

Dessa forma, além de melhorar o processo cognitivo, a intervenção psicopedagógica promove um bem-estar global, pois o indivíduo recupera sua autoestima e a alegria de aprender!




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