A abordagem psicopedagógica é
dividida em duas fases: diagnóstico e tratamento.
O diagnóstico possibilita que
o psicólogo realize uma análise minuciosa e descubra quais fatores estão
afetando o aprendizado do indivíduo. É realizada por meio da utilização de
instrumentos específicos, tais como avaliações, testes, jogos, desenhos, escritos,
leituras, avaliações psicométricas, observações, entrevistas, anamnese, leitura
de laudos e relatórios emitidos por outros especialistas, avaliação da produção
escolar e outros.
Em geral, essa fase requer
cerca de 6 a 10 sessões. Ao finalizar essa fase, o psicólogo faz uma pergunta
ao indivíduo (ou seus responsáveis) sobre o que foi encontrado durante a
investigação e propõe um plano de intervenção.
Vale salientar que é muito
comum os pais chegarem ansiosos e logo
solicitarem um laudo, pois querem saber o que o filho tem. Durante o
diagnóstico, é comum que os responsáveis perguntem ao final de cada sessão qual
foi o resultado. Essa atitude é compreensível, pois demonstra o afeto e a
preocupação dos pais. Contudo, apesar das informações que o indivíduo fornece a
cada encontro, somente após várias sessões é que o psicólogo pode emitir suas
próprias conclusões. O psicopedagogo precisa verificar, testar e reter,
observar e analisar de forma cuidadosa, evitando emitir um parecer precoce sem
avaliar o todo. Dessa forma, normalmente, além do atendimento com o sujeito,
também é feito um trabalho de orientação aos pais, pois a ansiedade excessiva
pode interferir no diagnóstico.
Após finalizar a etapa
diagnóstica e chegar o dia do informe, o psicopedagogo comunica suas conclusões
e, dependendo de cada caso, é elaborado um plano de intervenção. Cada plano é
elaborado com cautela, levando em conta não apenas o distúrbio/condição/dificuldade
de aprendizagem, mas também a singularidade do indivíduo.
É relevante salientar que o
relatório não contém uma sentença ou um diagnóstico definitivo, uma vez que o
ser humano está em constante evolução. A descoberta de uma dificuldade não é
uma má notícia. Não deve ser usado nem mesmo como desculpa para justificar a
não aprendizagem. Não! O diagnóstico tem como objetivo auxiliar o psicopedagogo
e outros profissionais envolvidos com o indivíduo a compreender suas
particularidades e, consequentemente, aprimorar suas habilidades de
aprendizado.
O procedimento consiste na
execução do plano de ação e tem como objetivo restabelecer as condições
essenciais para o aprendizado ocorrer de forma regular. A intervenção é
determinada pelo diagnóstico e pela singularidade da pessoa que está sendo
atendida. Sendo assim, mesmo que duas pessoas tenham um diagnóstico de
dislexia, cada uma terá um plano de ação específico, pois o foco é o indivíduo.
Na intervenção, são usados
instrumentos específicos que podem ser desenhos, escritas, teatro, música,
jogos... tudo de acordo com cada problema. Para indivíduos com dificuldades
para memorizar, é possível utilizar jogos de estimulação cognitiva.
É interessante notar que,
mesmo durante a fase de diagnóstico, o indivíduo atendido já demonstra sinais
de mudança em sua relação com o aprendizado.
Dessa forma, além de melhorar
o processo cognitivo, a intervenção psicopedagógica promove um bem-estar
global, pois o indivíduo recupera sua autoestima e a alegria de aprender!